A convivência com pessoas,
tradições e instituições específicas
de outras culturas apresenta-se hoje já como um fato irreversível.
Acelerou-se nas últimas décadas do século passado
e continua colocando indivíduos e governos frente a situações
novas que, sem um retorno a uma reflexão profunda sobre alguns
conceitos sociais básicos, dificilmente serão bem resolvidas.
As imigrações forçadas ou voluntárias;
o esquecimento dos fatores definidores da identidade cultural; a multiplicidades
das religiões concentradas num mesmo território; efeito
da laicização crescente em algumas partes do planeta;
os fundamentalismos religiosos, em outras; a necessidade de
reaprender a dialogar e a tolerar; a perplexidade diante as diferentes
formas de cálculo da solidariedade, são situações
que estão levantando problemas não só na Europa,
mas em muitos outros países.
Felizmente, a nação
catalã produziu um pensador que batalhou a vida inteira para
resolver conflitos semelhantes. Ramon Llull, reconhecido como o patriarca
do diálogo inter-religioso, foi, em seu tempo, o único
escritor de Ocidente que dirigiu mais da metade de sua obra para um
público islâmico. Ao mesmo tempo, introduziu no pensamento
europeu comportamentos e argumentos que já eram comuns nesse
mundo, como por exemplo, escrever em vernáculo sobre temas
filosóficos e teológicos. Sugeriu a criação
de uma Sociedade das Nações, e foi consciente do direito
de autodeterminação das nações. É
tido como um dos poucos cristãos que compreendeu o islamismo,
e a revista Globe o considerou um dos fundadores de Europa.