SOBRE RAMON LLULL

 

 

 

O ideal e o esforço de Raimundo Lúlio (1232-1316) para conseguir a união de todos os credos, seu europeismo e seu universalismo, o tornam uma figura atual no mundo de hoje, cada dia mais interdependente e mais empenhado em encontrar os meios para estabelecer a convivência e a solidariedade entre todos os povos. A concórdia religiosa entre os homens não se consegue com cruzadas nem inquisições, mas com o respeito mútuo, a procura comum, e sobretudo o diálogo. Nas distintas formas do diálogo luliano, apesar da índole polêmica própria de sua época, cada um dos interlocutores expõe a doutrina de sua fé com um profundo respeito para a pessoa do outro e com o olhar posto na busca da verdade.
Lúlio afirma que o homem é um ser feito mais para entender do que para acreditar. O diálogo luliano origina-se na vivência existencial do problema do destino humano, que nos atinge a todos, e se realiza em situação de igualdade e sem argumentos de autoridade, apoiado exclusivamente na inteligência.
Nascido na ilha mediterrânea de Maiorca, onde conviveu desde a sua infância com judeus, cristãos e muçulmanos, Lúlio, o criador da Ars Magna, é visto hoje como um dos patriarcas do diálogo inter-religioso.


Veja também:

Esteve Jaulent, Transcendência e Imanência na Ars luliana.

Santiago Mata, Ramon Llull e o respeito à consciência.

Harvey Hames, Raimundo Lúlio e seus contemporâneos judeus.

Alexander Fidora, Raimundo Lúlio perante a crítica atual ao diálogo inter-religioso.