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Re: Llull practicà el diàleg inter-religiós? (1 a ver) (1) Visitante
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TÓPICO: Re: Llull practicà el diàleg inter-religiós?
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ejaulent (Admin)
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Re: Llull practicà el diàleg inter-religiós? há 15 Anos, 11 Meses Carma: 0  
Benvolguts,

Alexander afirma 1) que um diálogo sem pretensão de verdade não existe nem pode existir, e 2), quem dialoga é porque pensa estar na verdade e pretende convencer o seu interlocutor. Eu também acho que todo diálogo tem um objetivo: busca esclarecer a verdade. Se não se acreditar na existência de uma verdade, ou da verdade como tal, não adianta dialogar. Também estou de acordo com Alexander quando diz que quem dialoga pretende estar na posse da verdade e convencer o outro. Contudo, estas duas características do diálogo precisam ser matizadas, pois oferecem algumas dificuldades.

Com relação à existência da verdade, Llull é muito eficaz quando demonstra que não se atinge a verdade fora do contexto do amor. O verdadeiro diálogo, pois, implica uma busca da verdade por parte dos interlocutores, porém esta busca deve efetuar-se num clima de respeito e amor. É o que diz a Gaudium et spes, no n. 92: «O diálogo se estende a todos os homens, sem excluir ninguém: os que pertencem à Igreja, os irmãos separados, todos os que acreditam em Deus e conservam na herança de suas tradições preciosos elementos religiosos e humanos, os ateus e os que se opõem à Igreja e a perseguem. O diálogo se possibilitará e consolidará quando se viver a fraternidade entre todos os homens de qualquer nação, raça ou cultura». (GS., n. 92)

A segunda afirmação 2) oferece dificuldades. Hoje não se compreende como duas pessoas convencidas de estarem cada uma delas na posse da verdade possam dialogar. Se uma delas pensa estar na verdade, necessariamente pensará que a outra está no erro, e vice-versa. Essas posturas iniciais, diz-se, incapacitam para qualquer diálogo. É a posição de John Hick.

Na minha opinião, John Hick e todos os que pensam neste ponto como ele estão equivocados e Llull, se vivesse hoje, também opinaria assim, pois seu método científico invalida completamente a posição de John Hick. Neste ponto, creio que Alexander concorda comigo. Na realidade, eu é que concordo com ele, pois comecei a estudar este tema luliano graças a ele.

Vou deixar para outra ocasião a explicação de como é possível, segundo Llull, dialogarem duas pessoas que pensam estar ambas na verdade. Agora gostaria de recordar, como preparação prévia ao debate, as seguintes noções da teoria do conhecimento:

A verdade surge quando se dá uma conformidade entre o que afirmamos ou negamos de algo, e o que este algo é. A verdade é algo que ocorre dentro de nós, e só poderia ser assim, pois o pensamento (que afirma ou nega algo) é imaterial, e a coisa geralmente é algo material que está fora de nós. Não podem identificar-se, pois têm natureza distinta. A conformidade dá-se entre o que afirmamos ou negamos e a coisa enquanto conhecida, enquanto pensada. A verdade, a conformidade, está em nós. Isto implica a capacidade do ser humano de trazer de alguma maneira para dentro dele as coisas, o inteligível das coisas. É justamente o chamado “intelecto” quem faz isso. Ele se muda, se trans-forma, adquire a forma, das coisas que conhece. É com sua ajuda que comparamos o pensado com a realidade.

A certeza é um caráter secundário do nosso conhecimento. Revela o grau de força ou de determinação com que aderimos aos juízos. Ao julgar, afirmamos ou negamos algo de algo; distingamos, portanto entre o ato de afirmar ou negar – o assentimento, a asserção, o assenso – e o conteúdo do ato. A certeza refere-se ao ato, expressa uma qualidade do ato, a firmeza do ato de aderir a um conteúdo. A certeza é, pois, uma realidade psicológica. Diz respeito ao aspecto subjetivo dos nossos juízos. Não confundamos, pois, certeza com verdade. Estamos certos das verdades, mas a verdade é um conteúdo, uma relação entre um predicado e um sujeito; a certeza um estado do espírito em relação à verdade. Podemos ter certezas errôneas? Sim, claro. Quantas vezes estamos certos de coisas erradas! Por quê? Porque nossa capacidade racional é débil e por isso, quando o raciocínio é longo e as conclusões afirmadas ou negadas são difíceis, os juízos não se correspondem perfeitamente com a realidade conhecida. Porque fraca é a nossa inteligência. A fraqueza é uma lei da nossa inteligência. Não nos deve estranhar, portanto que a certeza, a adesão ao juízo, às vezes seja errônea, isto é, que às vezes adiramos com certeza a um juízo falso como sendo verdadeiro. Isto nada mais é que um sinal da fraqueza da nossa inteligência

A dúvida é a suspensão do juízo. Quando duvidamos, não afirmamos nem negamos nada, ou porque não temos nenhum motivo para fazê-lo, ou porque os motivos pesam igualmente para o sim e para o não. Flutuamos na dúvida. Como na dúvida não há juízo, e como a certeza é uma qualidade do ato de julgar, na dúvida, não havendo juízo, não há certeza. Por isso não estamos certos do que duvidamos, [embora possamos estar certos de que duvidamos]. E, por outro lado, se temos certeza de algo, é que aderimos a um juízo, portanto não podemos duvidar daquilo ao que aderimos com certeza. A dúvida é incompatível com a certeza.

Estamos presos às realidades externas e internas. O ser humano está feito de tal modo que está como que inclinado para a verdade. É uma inclinação instintiva e muito forte. Eu diria que nós precisamos apoiar-nos constantemente na realidade das coisas, estamos amarrados às realidades, internas e externas, e por isso necessitamos da verdade, que é a que nos mostra essas realidades. Há, pois, em nós uma exigência de explicações. Buscamos sempre a verdade; portanto, se uma proposição não é verdadeira, para aderirmos a ela com alguma certeza ao menos tem de ter a aparência de verdade. Mas cuidado! Se por acaso viermos a saber que tal proposição tem só aparência de verdade, imediatamente perderíamos a certeza. Isto é uma prova de que o homem não se contenta com aparências e exige verdades. Na mesma hora em que nos convencemos de que só temos aparências, ou na mesma hora em que duvidamos ter algo a mais do que aparências, nossas certezas desaparecem. Em resumo: só admitimos aparências enquanto as desconhecemos.

Para não alongar-nos muito, ficam pendentes para outra ocasião:

1) a análise da segunda nota essencial do diálogo proposta pelo Jordi G.:as partes que dialogam possuem e conhecem sua própria identidade.

2) Debater por quê o consenso a respetio das Dignidades entre as três religiões monoteístas era algo impossível. E provar que Llull sabia disso

3) Responder a uma pergunta isolada que faz o Jordi G.: Qual o conceito que Llull tinha do Islam como religião? Era uma seita ou uma religião diferente?

4) A resposta parcial que Alexander dá para a esta pergunta do Jordi G. levanta outros temas muito importantes: Alexander matiza esta afirmação do Jordi G. – que entende ser demasiado geral: que as argumentações lulianas eram exclusivamente estratégicas.

5) Além disso, penso que será muito interessante debater as causas da divisão no mundo muçulmano apontadas por Alexander: o estatuto epistemológico da religião islâmica e a identificação entre política e teologia que exige esta religião.

O debate continua aberto a todos.

Um abraço,
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Llull practicà el diàleg inter-religiós?
esteve 28/03/2005 00:21
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afidora 23/05/2005 13:00
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jgaya 30/05/2005 22:40
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afidora 10/06/2005 19:01
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esteve 19/06/2005 17:45
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esteve 20/06/2005 15:15
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afidora 24/06/2005 00:33
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